De uma maneira ou de outra sempre estive ligada ao artesanto.
Minha terra natal, Ituiutaba, localizada numa região de Cerrado, no Pontal do Triângulo Mineiro, é lugar de artistas e artesãos talentosos e de grande capacidade criativa.
Com minha avó materna aprendi desde cedo a manejar o tacho de sabão, que ela fazia com ervas aromáticas, principalmente o Patchouly e Alfavaca que eram ervas comums nos quintais das nossas casas.
O fogo do fogão a lenha fazia seu trabalho de cozimento, enquanto a brisa da tarde espalha os perfumes de ervas no ar, onde todos da rendondeza já sabiam - Dona Gabriela esta fazendo sabão! - depois de três dias no fogo, com a massa perfeitamente saponificada, com todo o capricho minha avó enrolava as bolas, uma a uma, e ia guardando nas latas, para serem utilizadas posteriormente na lida doméstica, na lavagem das roupas que ficava com cheirinho de Patchouly e de limpeza!
Hoje em dia acho que o que minha avó fazia é uma arte completa, que não deveria morrer pelas gerações afora, e aliando a outras técnicas maravilhosas de fazer sabão, resolvi desenvolver eu também esta arte e divulga-la para que todos possam usufrir destes pequenos pedaços de amor e conhecimento que em dado momento não deixa de ser secreto. Um banho com um sabonete natural produzido desta forma antiga e ao mesmo tempo contemporânea, nos leva a compreender a trajetória de nossos ancestrais, evocando uma herança de amor e dedicação.